Quem nunca sentiu o impulso de estender a mão a um amigo ou familiar em dificuldade? O desejo de ajudar, de compartilhar o que aprendemos e de aliviar o fardo de quem amamos é uma das qualidades mais nobres do ser humano.
Mas o que acontece quando, apesar de todo o nosso esforço, conselhos, apoio emocional e até financeiro, a pessoa parece não querer se ajudar?
Essa é uma daquelas situações que nos deixam com o coração apertado e a mente cheia de dúvidas. Recentemente, vivi exatamente isso. Dediquei tempo, energia e recursos para apoiar alguém próximo, oferecendo as mesmas estratégias que aplico no meu dia a dia e que me ajudam a seguir em frente.
Fui cautelosa, pois sei que cada um tem sua própria batalha interna e não nos cabe julgar.
O ponto de virada para mim foi observar essa mesma pessoa dando um conselho brilhante a um terceiro. As palavras eram sábias, práticas e cheias de potencial – exatamente o que ela mesma precisava ouvir e aplicar.
Naquele momento, um pensamento me atingiu em cheio:
“Ela sabe o que fazer, mas por que não faz por si mesma?”
Em uma oportunidade posterior, com todo o cuidado, usei a situação como gancho:
“Olha, você é incrível nisso, tem um talento natural para aconselhar. Já pensou que essa sua habilidade pode te levar a lugares maravilhosos? Por que você não insiste nisso para a sua própria vida?”
Lembrei a ela de suas próprias palavras de incentivo, de como o começo é sempre difícil, mas que depois as coisas fluem.
Essa experiência me levou a uma conclusão dolorosa, mas necessária:
não podemos ajudar quem não está pronto para se ajudar.
É frustrante e desgastante. Nosso instinto, principalmente quando se trata de família, é insistir, empurrar, carregar no colo se for preciso. Sentimos uma responsabilidade quase visceral pelo bem-estar deles.
Mas, ao fazer isso, será que não estamos, sem querer, tirando a força e a oportunidade de a pessoa encontrar seu próprio caminho?
Confesso que é difícil não me preocupar, mas talvez a forma mais genuína de amar, neste caso, seja dar um passo para trás. Talvez a minha melhor ajuda seja, paradoxalmente, parar de “ajudar”.
Às vezes, é preciso permitir que a pessoa sinta o desconforto de sua situação sem um amparo constante. É nesse momento de “revolta”, de sentir a falta do suporte que sempre esteve ali, que pode surgir a faísca da mudança. Aquele impulso interno que a fará se levantar e fazer o que, no fundo, ela já sabe que precisa ser feito.
Deixar ir não é um ato de desistência, mas um voto de confiança.
É acreditar que, mesmo que o caminho seja árduo, a pessoa tem dentro de si a força necessária para se reerguer.
E nós estaremos aqui, não mais para carregar o peso por ela, mas para aplaudir de pé quando ela o fizer por si mesma.
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