
Este final de semana foi um presente.
Tudo começou no sábado, com uma simples faxina — dessas que limpam a casa, mas também a alma. Enquanto organizava as coisas, encontrei um kit de talheres novinho, guardado há tanto tempo que eu nem lembrava. Sorri, senti que poderia fazer alguém feliz e doei. No meio da arrumação, surgiu também um kit churrasco da Tramontina, ainda embalado. Na mesma hora, pensei no meu pai. O Dia dos Pais seria no dia seguinte, e eu não tinha nada para presenteá-lo. Foi como se o universo tivesse preparado aquilo só para mim.
No domingo, o sol iluminava um dia frio. A casa estava pronta, o quarto do Kaio organizado para meu pai dormir, já que meu filho foi passar o dia com o pai dele. Tudo aconteceu com tanta leveza. Almoçamos juntos, minha mãe fez bolo e pudim — os preferidos dele — e, quando entreguei o presente, vi nos olhos dele um brilho que não esquecerei. Mais tarde, ele ainda me mandou mensagem dizendo que amou o dia e o presente. Pequenos gestos, mas que carregam um amor imenso.
O que mais me tocou não foi apenas o momento, mas o significado por trás dele. Por muito tempo, nossa relação foi distante. Quando criança, lembro das brigas dele com minha mãe, das palavras duras, da sensação de que ele ficava por obrigação, não por vontade. Isso deixou marcas. Mas a vida — e Deus, com seu jeito perfeito de agir — encontrou formas de transformar nossa história.
A reforma do meu apartamento foi uma dessas formas. Eu, que pensava fazer tudo sozinha, comecei a escrever sobre esse sonho e, pouco tempo depois, ele apareceu para me ajudar. Ele, que antes não estava tão presente, começou a estar. E, nesse processo, fomos reformando muito mais do que paredes: reformamos laços.
Hoje, olho para o meu pai e vejo tanto dele em mim quanto de mim nele. Aprendi que quando deixamos o passado no lugar dele e passamos a olhar para as pessoas com mais amor e menos julgamento, algo dentro de nós muda. A mágoa dá lugar à gratidão, e o peso vai embora.
A vida me ensinou que, às vezes, o maior presente não vem embrulhado. Vem na forma de reconexão, de perdão silencioso, de conversas simples e sorrisos sinceros. E que nunca é tarde para restaurar o que parecia perdido.
Sigo com o coração leve, pronta para viver outros dias assim — cheios de simplicidade, reencontros e amor. Porque, no fim, é isso que realmente importa: permitir-se amar de novo.
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Obrigado ☺️