Depois de dois dias sem treinar, senti como se fosse uma eternidade. Para quem vive o jiu-jitsu intensamente, dois dias longe já bastam para a mente gritar e o corpo reclamar. No retorno, o aquecimento parecia dobrado, o fôlego não acompanhava e o suor apareceu cedo. No meio do rola, meu corpo já pedia para desistir, para descansar.
Foi então que ouvi a voz do mestre:
– “Que isso, Elis? Tá derretendo?”
A frase não soou como cobrança, mas como um convite, um lembrete. Naquele instante, acessei um lugar dentro de mim que nem sabia que existia. Voltei para a luta. Voltei com alma. Voltei com mente.
Ali, no chão duro do tatame, compreendi mais uma vez que a mente comanda tudo. Ela pode nos travar, mas também pode nos libertar. E, às vezes, tudo que a gente precisa é de alguém que enxergue a nossa força quando a esquecemos.
No trabalho, o universo continuou me ensinando.
Uma colega, dedicada e humana, pediu demissão porque não concordava com algumas decisões — decisões com as quais eu também não concordava. Não foi por falta de competência, e isso me tocou profundamente. Senti que não podia ficar calada. Fiz questão de agir.
Indiquei vagas para ela e escrevi uma recomendação sincera no LinkedIn. Porque, quando uma mulher corajosa decide se levantar, ela não deve caminhar sozinha. Ser ponte é um ato de amor. E quem estende a mão também se cura um pouco.
Essa atitude me fez perceber o quanto empatia e cuidado com o outro são importantes. Ao ajudar alguém, a gente também se fortalece. Torço para que ela encontre um lugar onde se sinta valorizada e feliz — porque ela merece.
Ainda teve um gesto que me emocionou profundamente: minha líder se posicionou e solicitou um reajuste para o nosso setor. Ainda não sabemos se isso vai acontecer, mas o simples fato de alguém se importar e agir em nome do coletivo já trouxe um sentimento de gratidão e esperança para todo o grupo.
Pode parecer algo pequeno, mas não é. Em tempos em que tantos líderes se escondem atrás de planilhas e metas, hoje eu vi coragem. Vi humanidade. Ela não apenas ouviu nossas necessidades — ela levou nossa realidade adiante.
Esse gesto inesperado me lembrou que, quando estamos com o coração e a mente positivos, as coisas podem acontecer de formas que nem esperamos. Mesmo que o aumento não venha agora, a atitude dela já plantou algo transformador. Porque quem luta pelo coletivo, mesmo nos bastidores, faz florescer mudanças reais.
E para completar esse dia, algo lindo aconteceu à noite. Minha colega e grande amiga de trabalho foi surpreendida com um buquê de flores e uma caixa de bombons do marido pelo Dia dos Namorados. A alegria no rosto dela aqueceu meu coração. Tirei uma foto como se as flores fossem para mim — foi impossível não me contagiar com aquele momento. Vibramos juntas, rimos, celebramos o amor. Na correria do nosso dia a dia, esse gesto trouxe leveza, conexão e carinho. Pedi a ela que agradecesse com o coração e dormisse com as flores por perto. Porque ela merece. Porque vibrar pelo outro também é uma forma de amar.
A vida é feita de pequenas vitórias invisíveis.
De resistir quando a mente diz “pare”.
De apoiar quando o outro se despede.
De falar por um time quando a maioria cala.
De se emocionar com a alegria do outro.
De vibrar com um gesto de amor inesperado.
De sentir que o amor — em todas as suas formas — ainda floresce.
Voltar ao tatame. Apoiar uma colega. Ver uma líder se posicionar. Vibrar com a felicidade de uma amiga surpreendida no Dia dos Namorados.
Quatro histórias. Um só dia. Um coração cheio de aprendizados e gratidão.
Obrigado ☺️